Eduardo Costa

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O melhor negócio do mundo

12/02/2020 às 12:05
O melhor negócio do mundo

Quando se tem mais de 60 anos de idade e algumas décadas lidando com a notícia, é difícil se deparar com algo que nos cause surpresa avassaladora. Mas, se me contarem que existe algo melhor que ter um banco no Brasil vou ficar de boca aberta por muitos dias. Vejam, senhores, que um só banco, o Itaú, lucrou no ano passado R$ 26, bilhões... Detalhe: o lucro líquido aumentou em 10,2%, bem menos que o Santander – 17%– e o Bradesco, 20%.

Você pergunta: por que tanto dinheiro em poucas mãos? Porque são as mãos dos que concentram 80% de todos os depósitos, de todas as operações de 80% dos brasileiros... É o chamado mercado concentrado, que faz valer sua vontade.

Outra pergunta: por que há uma diferença abismal entre o juros de poupança que nos pagam e as inacreditáveis taxas quando precisamos de algum capital de giro? Chamam de spread e dizem que é a diferença entre o que pagam para captar o dinheiro e o que cobram para emprestá-lo aos clientes. Se você não entende, eu também não; afinal, como podem cobrar por mês, num empréstimo consignado, ou seja, aquele que é descontado no salário do devedor, portanto risco zero de cano, o mesmo que pagam por um ano de poupança? A propósito, o spread brasileiro é o segundo maior do mundo, só fica atrás do de Madagascar.

Dirão que a inadimplência é muito grande no país; tudo bem, mas, por que então não usam o cadastro positivo para juros mais em conta aos bons pagadores? Ah, como pode um cliente, que tem conta e ficha limpa, pagar 12% de juro no cheque especial? Vem o Banco Central e tenta por um mínimo de decência dizendo que o máximo deve ser de 8% mês; os bancos então anunciam que, quem quiser ter a possibilidade de usar o cheque especial terá, antes, de pagar uma mensalidade... E aqueles que, como eu, têm direito a dias grátis, que vêm desde outras instituições encampadas, vai perder.

Dia desses vi um economista famoso dizer que não é bem assim e que, muitas vezes, o lucro maior nem é de operações bancárias em si, mas de empresas que são criadas em torno do grupo. Pensei: com mais de R$ 20 bilhões de lucro todo ano é claro que vou comprar boi, abrir concessionária de veículos e até financiar ônibus para a lua.

Agora, justiça seja feita: o governo baixou a taxa Selic a 4,25%, e os bancos oficiais estão tentando forçar a queda da agiotagem. A Caixa promete para breve o financiamento da casa própria em até 30 anos com prestação fixa, corrigida apenas pela inflação. Queira Deus!

Até aqui, desde 1500, o sentimento é de que seja comunista ou capitalista, Lula ou Bolsonaro, Atlético ou Cruzeiro. O melhor negocio é ser banqueiro!

Foto: Agência Brasil

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